“Vinde a mim as criancinhas.”

Jesus disse: “Vinde a mim as criancinhas.” Hoje me pergunto se o que encantava Jesus nas crianças era somente sua pureza.

Tenho pra mim que Jesus via nas crianças grandes educadoras dos adultos. Pensando nesses pequenos seres humanos, me dei conta de uma coisa: quando alguém começa uma pergunta à uma criança do tipo: “O que é… (isto ou aquilo)”, ao invés de dar conceitos, como geralmente os adultos fazem, elas respondem com exemplos.

Desta forma, quando alguém pergunta: “O que é alegria?” Elas respondem: “É que nem ganhar um ovo de páscoa bem grande!”

Elas não pensam em conceitos de dicionários, elas pensam em experiências que já tiveram. Um adulto talvez responderia à mesma pergunta da seguinte forma: “Alegria é um estado de espírito que se reflete numa perspectiva otimista da vida, causada por eventos positivos.” Esta é a definição que eu, enquanto adulto, daria para alegria.

Fato é que o exemplo das crianças me faz pensar no seguinte: que relação eu mantenho entre meus conceitos e minha vida prática? Digo isto porque tal reflexão me faz constatar que muitas vezes temos definição sobre tudo, mas poucos exemplos de vida.

Jesus sabia fazer como as crianças: perguntado sobre o Reino dos Céus, ele dizia: “é como o homem que encontrou um tesouro”, “é como o semeador que saiu a semear”, é semelhante à rede lançada ao mar.”

Uma vida só de conceitos pode se tornar uma vida utópica. Conceitos que não traduzem-se em exemplos podem ser conceitos mortos.

Os educadores nos ensinam a ter conceito sobre todas as coisas, mas são as crianças que nos ensinam que o que dá vida aos conceitos se encontra fora dos livros.

por Fr. Joel Moreira, NDS

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