Bautain: o professor de Theodoro Ratisbonne

Estrasburgo em 1820 era o local para a formação de um círculo de religiosos interessados que se reuniram em torno do filósofo Louis-Eugène-Marie Bautain. Este grupo, que incluía tanto judeus como católicos, incentivaram por um tempo os membros judeus à praticar sua religião e servir sua comunidade, “para se tornarem bons judeus”, nas palavras de Bautain. 


Embora os membros judeus, incluindo Théodore Ratisbonne, o fundador da Congregação de Nossa Senhora de Sion, em última circunstância eram batizados e ordenados como sacerdotes católicos, os debates do círculo que foram registrados em Philosophie du christianisme, de Bautain (1835), sugerem o potencial de uma atitude mais tolerante por parte dos católicos, que respeitavam o valor religioso do judaísmo e da liberdade religiosa dos judeus.

Quando jovem, Theodore Ratisbonne procurou por vários anos a verdade e o significado da vida em vários cursos da universidade. Um encontro casual com um amigo judeu levou-o a participar de uma aula de filosofia, liderada por Louis Bautain, um renomado filósofo. Suspenso da Universidade por causa dos seus pontos de vista sobre o racionalismo, Bautain conduzia suas aulas na casa de uma mulher idosa, Louise Humann que teve um papel fundamental para trazer Bautain de volta à prática de sua fé.

Depois de um curso na École Normale, onde ele foi influenciado por Cousin e Jouffroy, Bautain tornou-se (1819)  professor de filosofia em Strasburg. Três anos depois, ele estudou medicina e por último estudou teologia, sendo ordenado sacerdote em 1828. Como diretor do seminário de Strasburg, ele ganhou primeiramente distinção pelo seu trabalho em apologética, especialmente contra o ateísmo e materialismo. Foi ele o principal interessado, no entanto, no problema das relações entre fé e razão, em relação ao qual ele aceitou a visão de fideísmo e tradicionalismo, reduzindo ao mínimo a função da razão. A revelação divina, segundo ele, é a única fonte de conhecimento e certeza. Ele foi, portanto, obrigado a assinar (18 de novembro de 1835), seis proposições que contêm a doutrina católica sobre a fé e a razão. Após o exame em Roma de sua obra, “Philosophie du christianisme” (Paris, 1835), Bautain assinou (08 setembro de 1840) seis outras proposições diferentes, mais breves que as de 1835. Por fim, em obediência à Congregação dos Bispos e Regulares , ele prometeu (26 de abril de 1844) não ensinar que a existência de Deus, que a imortalidade e  espiritualidade da alma, os princípios da metafísica, e os motivos que tornam a revelação credível estão fora do alcance da razão. Bautain foi nomeado Vigário-Geral de Paris (1850) e lecionou na Sorbonne (1853-1862). 

Fonte: newadvent.org
Tradução: Joel Moreira, nds

Comments

comments

Post Tagged with ,

Comments are closed.